quinta-feira, 17 de março de 2011

. Crianças em risco

"Um estudo levado a cabo por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revela que profissionais de educação, serviços de saúde e outros (como por exemplo, polícias), ao longo da sua experiência profissional já lidaram com situações de risco – negligência, maus-tratos físicos e psicológicos, abusos sexuais, abandono e exploração do trabalho infantil. A investigação realizou-se através de um inquérito a 200 profissionais da área que demonstrou que mais de dois terços foram chamados a intervir em casos de abuso. Segundo Miguel Ricou (orientador do trabalho) e Tânia Ramos (autora do estudo), isto implica que os mesmos deveriam estar dotados de técnicas específicas e de competências emocionais para saberem lidar com o fenómeno. Os dados recolhidos junto da amostra revelam que a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens é a mais indicada, como responsável por solucionar os casos de ‘violência’. E prova-se que há um desconhecimento por parte dos profissionais com competência em matéria de infância em juventude que têm o dever de intervir neste âmbito, delegando nas comissões de protecção e nos tribunais este mesmo dever. Verifica-se que 62 por cento dos profissionais encaminha imediatamente a situação de risco às autoridades que consideram mais competentes, sem procurar em tempo útil desencadear qualquer tipo de intervenção. Há no entanto, pelo menos 70 por cento destes que desconhecem que existe uma lei de protecção de crianças e jovens. Os investigadores alertam que isto leva a questionar a forma como os profissionais orientam a sua prática, uma vez que não sabem quais as linhas legais que pautam estas situações."

(in Ciência Hoje, Jornal de Ciência, Tecbologia e Empreendedorismo))

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